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Transição cultural: da cultura oral à digital

Vivemos numa sociedade onde a tecnologia digital tomou conta do nosso dia a dia. Não conseguimos mais imaginar nossas vidas sem o uso dos celulares, notebooks e tablets. Mas será que sempre foi assim?


De um modo geral, a cultura das sociedades foi fundamentada na oralidade, em que as informações eram passadas de pais para filhos através da fala – chamada aqui de cultura oral. Como não havia a escrita, as tradições e ensinamentos eram perpassados de geração em geração através da cultura oral. O grande problema era que, com a morte das pessoas que detinham o conhecimento, muitas informações foram se perdendo ao longo dos séculos. Sendo assim, começaram a pensar em uma forma de perpetuar a o conhecimento através de registros, que fosse capazes de ficarem registrado e que pudessem ser pesquisados e acessados por gerações futuras.


Então, vamos começar a contar um pouco dessa história...


As primeiras formas de registros, no mundo, foram as pinturas rupestres. Essas pinturas eram desenhadas nas paredes das cavernas e era uma forma de representar o seu cotidiano e vida das comunidades locais.


Já a escrita foi elaborada e criada na antiga Mesopotâmia por volta de 4.000 a.C., onde os sumérios desenvolveram a escrita cuneiforme. Eles usavam placas de barro para cunhar a escrita. Não somente essa técnica como várias outras foram usadas para preservar as informações. Dessa forma, a escrita deu início ao processo de perpetuação do conhecimento das pessoas, mesmo depois de falecidas, sendo uma base de apoio à memória humana.


Somente no século XV, no ano de 1430, surgiu a imprensa, que possibilitou a impressão em grande quantidade de materiais escritos como: jornais, revistas e livros. Como muitas pessoas não sabiam ler e escrever, os materiais escritos eram restritos aos intelectuais e à elite.


E no Brasil?


Quando os portugueses chegaram ao Brasil encontraram os índios. A cultura deles era oral, não havendo nada por escrito. O povoamento do território brasileiro foi feito com a chegada dos europeus, africanos e dos indígenas, que aqui já viviam. Assim, como os índios, os africanos também tinham como base a cultura oral, contudo os europeus com o objetivo de difundir a cultura europeia no Brasil e promover catequese começou o processo de alfabetização.


Mas falando assim, parece que foi tudo muito fácil e rápido, certo? Errado!

A maioria da população brasileira era analfabeta e não tinha acesso aos livros. Estes, que aqui chegavam, vinham contrabandeados e escondidos, pois os portugueses tinham medo de que junto com o conhecimento chegasse também as ideias de revolução e independência. A imprensa chegou no Brasil somente em 1808, com a vinda da família real portuguesa e a fundação da Imprensa Régia, no Rio de Janeiro.

No início do século XX, os jornais eram os principais meios de comunicação do mundo, porém sofriam diversas perseguições e censura. Mesmo sendo o principal meio de comunicação em massa, não atingia a maioria da população, devido ao analfabetismo de uma parcela considerável da população.


Como a informação começou a se expandir, uma vez que muitos brasileiros eram analfabetos?


Primeiro que a cultura oral não foi totalmente esquecida, como não é até os dias de hoje. Depois, surgiu de um meio de comunicação em que as pessoas poderiam escutar as informações: o rádio.


O rádio chegou ao Brasil nos anos 20, e passou a ser o meio de comunicação que atingia a maior parte da população brasileira, incluindo aqueles que não sabiam ler nem escrever. Ressaltamos aqui que o valor do rádio era relativamente barato, o que facilitava muito a aquisição por parte da população mais pobre. As radionovelas e o noticiário eram os programas de maior audiência.


Em 1950, chegava a televisão e, com ela, a possibilidade de assistir as imagens, além de ouvir. Num primeiro momento as imagens eram transmitidas em preto e branco e os equipamentos de televisão eram extremamente caros, o que tornando inviável a compra do equipamento para a maioria da população brasileira. Com o passar do tempo e o desenvolvimento da tecnologia, os aparelhos de televisão ficaram mais baratos e passaram a transmitir as imagens em cores. Nessa época os grandes destaques da programação eram os programas de auditório, novelas e humorísticos.

Com a chegada da televisão, ouve um receio muito grande de que o rádio fosse extinto, mas nada disso aconteceu e ainda surgiu espaço para as novas tecnologias.


A internet surgiu na década de 60 e foi desenvolvida com o objetivo de auxiliar a Guerra Fria, entre Estados Unidos e a extinta União Soviética. No Brasil, a internet surgiu na década de 90 e junto com ela a ameaça de que a televisão estaria com seus dias contados.


O meio de comunicação que atende a maior parte da população brasileira é a televisão, seguido pelo rádio em segundo lugar. As pesquisas mostram que o rádio alcança 96% de todo o território nacional. A internet é o meio de comunicação mais utilizado. De acordo com a última pesquisa do IBGE, divulgada em ano passado, informou que mais de 63% dos brasileiros têm internet em casa e que 116 milhões de pessoas estão conectadas à rede.


Percebemos então que a cultura oral não desapareceu, assim como nenhuma das que vieram na sequência. Surgiram novas culturas e novas tecnologias, mas sem perdermos nenhuma das anteriores. Muito pelo contrário: todas trabalham juntas e formam uma imensa engrenagem que distribui e perpetua informação e conhecimento para milhares de pessoas pelo Brasil.


Por Profª Elaine Gouvêa - Mestranda em Filosofia e Ensino, Especialista em Filosofia e Jornalista



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